O Invencível Homem de Ferro: Demônio na Garrafa – Comic Review / Crítica

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Mais do que uma simples historia em quadrinhos, uma lição para à vida. 

O Enredo; se inicia no ano de 1979, após uma série de acontecimento que acabaram por desencadear a morte de um embaixador. Anthony Stark entra em uma das piores fases de sua vida, para buscar calma e força ele se entrega à um amigo que sempre esteve presente nas horas mais difíceis e sombrias: O Álcool. Desse modo se inicia uma das maiores historias da cronologia do Homem de Ferro, bem-vindos ao “Demônio na Garrafa” a maior batalha já travada pelo personagem contra um inimigo quase invisível, o seu terrível alcoolismo.

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Antes de iniciar meus comentários sobre arco de historias. Quero que vocês parem, pensem e compreendam um pouco sobre o que estava sendo feito na industria de historias em quadrinhos na época, porque não estamos falando de uma era onde todos os personagens tinham seus dogmas e erros definidos, não, isso “ainda” não existia. Na época em questão (79) de um lado nós tínhamos à DC Comics explorando o mistério, a magia e o fantástico, enquanto que do outro lado na novíssima Marvel Comics tínhamos um – até então – jovem, genial e filosofo roteirista martelando o seguinte pensamento:

“As pessoas não precisam, não querem e não devem se apoiar em personagens perfeitos, quase deuses, que nunca erram ou magoam os outros. Elas precisam, querem e devem ter personagens falhos. Pessoas que como eles também errem e vivam nos mesmos difíceis dilemas que eles. Personagens que ao superarem seus erros deem a luz da esperança e força para os leitores superarem suas próprias aflições. São esses os tipos de personagens que eu quero na minha editora”

Pensamento do qual fizeram ele, Stan Lee se tornar a lenda que é hoje e ao mesmo tempo inspirar tantos roteiristas a trabalhar esses tipos de questões. Desse modo o senhor David Michelinie reconhecendo qual era à linha de enredo que deveria seguir, acabou por desenvolver uma batalha muito mais pessoal do que heroica para o vingador dourado. Trabalhando em cima de um tema, que até mesmo hoje em dia continua muito atual, o mal que o alcoolismo causa ao homem por falta confiança e fé em si mesmo para suportar as dificuldades do dia-a-dia.

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Algo que acaba por transcender a barreira das “historias em quadrinhos” que são consideras por muitos uma mídia infantil. Michelinie aqui, trata de um tema que na época era um grande tabu. Ninguém chegava para o seu pai ou mãe e simplesmente o questionava sobre à quantidade de álcool que ele estava ingerindo e o quanto que ele podia fazer mal para ele, isso era impensável; uma falta de respeito na cabeça dos caretas da época. Assim, como grande roteirista que sempre foi e será. Resolveu se aplicar seus esforços em desenvolver um enredo que satisfaze-se o desejo do  grande Stan por historias mais “cabeça”.

Agora sim, podemos começar a falar do arco em si. No momento historio que o Homem de Ferro se encontra ele não é mais aquele gênio incansável que era antes. O álcool tomou dele muito e o deu pouco. Sua companhia, as Industrias Stark, estão quase sendo compradas pela S.H.I.E.L.D que aos poucos toma o controle de uma boa parcela da companhia, tudo de modo legal. O que torna a dor de ver tudo aquilo do qual ele conquistou durante sua vida adulta ser tomado dele, muito mais dolorosa.

O que faz ele se voltar para o seu único e fiel amigo, o álcool, mais uma vez…

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Veja bem, essa não é a clássica historia do bem contra o mal, mas sim do homem contra o homem. Os desejos e angustias do personagem são muito bem trabalhos pelo roteirista em um muito pequeno arco. Coisa da qual a maioria dos maiores roteiristas da nossa época se esforçam muito para reproduzir, mas sempre acabam em um gigantesco números de edições que não explicam quase nada sobre o que eles queriam reproduzir.

Outra coisa coisa muito importante a se destacar é que essa foi uma das primeiras vezes que o problema com o álcool foi usado em uma historia em quadrinho de modo tão explicito.

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Para mim, que sou fã de carteirinha do ferroso, Demônio na garrafa é sem duvida alguma a melhor historia já escrita para o personagem. Do mesmo modo em que O Soldado Invernal marcou para sempre as historias do Capitão América, o arco em questão aqui, elevou em muitos degraus o status da revista e do personagem. Claro, após isso falar do alcoolismo de Tony Stark se tornou uma tremenda farra, sendo usada diversas vezes para explicar os erros dele sem nenhuma discussão franca sobre o assunto.

A arte; obviamente é a clássica, feita na era de prata das historias em quadrinhos. O que falar de John Romita Jr? Filho de um dos maiores desenhistas de todos os tempos, o cara tem “o poder” correndo em suas veias e faz tudo tão bem que até para mim – que critico tudo – fica difícil de desenvolver uma retorica. Vamos fazer fazer o seguinte, digamos apenas que, tudo está ao “nível John Romita, Jr”.

Ao final de tudo. Digo apenas que espero loucamente por uma republicação da senhora Panini Comics, o quanto antes. Sagas como essa merecem sempre está ao alcance de leitores famintos por boas historias.

  • Roteirista: David Michelinie.
  • Quadrinista: John Romita Jr.
  • Arte-finalista: Bob Layton.
  • Colorista: Bob Sharen.
  • Editora: Marvel Comics.
  • Ano: 1979 (USA).

10/10

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3 comentários em “O Invencível Homem de Ferro: Demônio na Garrafa – Comic Review / Crítica

  1. É uma baita de uma história que hoje em dia alguns esqueceram.

  2. Abraão Junior disse:

    Era isso que a marvel devia fazer. Republicações de grandes classicos dos seus personagens para mim, são como grandes obras de literatura que nunca ficam fora de moda. Hoje, esses personagens não deviam mais serem aproveitados (e sim, estarem aposentados). Falta muita criatividade dessas editoras nos dias de hoje. Deviam criar novos personagens que explorassem os problemas atuais e não usarem os que ja exitem a decadas. Gostei da materia, parabens!

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