True Detective (1º Temporada) – Crítica

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Será a vida um sonho?

Semana passada eu finalmente pude encerrar a primeira temporada desta apoteótica série, True Detective, programa ao qual eu passei excelentes noites (e madrugadas) acompanhando. Para falar a verdade, desde o final da 4º temporada de Game Of Thrones que eu não ficava tão empolgado para poder assistir mais uma produção da HBO. Canal ao qual; está sempre se superando e lançando séries cada vez maiores, tanto em qualidade quanto em produção, do que as anteriores.

Bem, chega de papo furado e vamos ao que interessa. Prepare seus olhos e sua mente para o impacto que essa narrativa irá lhe causar, amigo.

“Acho que a consciência humana foi um erro trágico na evolução. Nos tornamos muito autoconscientes. A natureza criou um aspecto seu separado de si. Não deveríamos existir pela lei natural.” – Rust.

A série faz parte do gênero Thriller Policial e conta a história dos detetives Rust Cohle (Mattthew McConaughey) e Martin Hart (Woody Harrelson), com filosofias de vida muito opostas, que acabam sendo unidos para investigar um homicídio com características atribuídas a um assassino em série. Tudo se passa ao longo de 17 anos, porém a narrativa costuma retroceder e avançar no tempo para apresentar ou explicar fatos. Isso se deve ao fato de uma investigação policial, que ocorre paralela aos acontecimentos, servir como guia para todos os eventos da série.

Talvez o modo mais simples de se explicar o mote da história seja… Você já leu alguma edição da série em quadrinhos ‘What if…‘ da Marvel Comics? Então, True Detective é basicamente uma edição da revista com o título de ‘What if… The X-Files had been written by Alan Moore?’. O excelente roteirista da série nós apresenta uma investigação criminal da forma como elas realmente ocorrem, excluindo assim todo esse clichê que acabou sendo criado por série da “franquia CSI” (entende?), sem ignorar nenhum dos estágios da investigação. Ou seja, você realmente compreende como essas coisas costumam ser difíceis e as vezes frustrantes para os envolvidos, realismo ao qual fez o velho mago Alan Moore ser bastante reconhecido na área dos quadrinhos.

Por um certo tempo alguns acusaram o roteirista de plagiou, quando na verdade ele estava homenageando uma das historias do velho mago.

Três pontos que me chamaram atenção na série:

O desenvolvimento de cada episódio é – talvez – uma das coisas mais incríveis sobre ela. Tudo gira em torno de uma investigação que está ocorrendo 17 anos no futuro sobre eventos aos quais foram realizados no início da parceria entre os dois detetives de uma forma que, com toda certeza, daria para apresentar muito bem mais de uma temporada. A narrativa avança e retrocede, mas isso é feito de uma forma tão fluida que não chega a incomodar quem está acompanhando os eventos, aliais grande parte dos comentários dos personagens no futuro nos ajudam a entender cada um deles mais a fundo.

Os diálogos também saltam aos olhos. Rust discute diversas vezes com Martin usando como base pensamentos filosóficos de grandes escritores do seculo passado, ele vê a vida de seu colega- ao qual Martin pensa ser perfeita – e disseca ela de tal forma, jogando em suas cara o erros, que Martin diversas vezes o manda calar a boca. Além disso é quase cômico ver um niilista como Rust ao lado de um cara tão comum e supérfluo quanto o Martin. Para ser mais claro, tudo isso é basicamente como por um Edgar Allan Poe ao lado de um My Little Pony; o coitadinho vai entrar em depressão.

A ambientação e o último ponto ao qual se deve minha paixão pela série. Ah! Os tão mágicos anos 90, minha década favorita, que dão uma aura mais especial a tudo. Os carros, vestimentas e acessórios acrescentam um clima muito mais “cool” a série. Além disso, situar o enredo nessa época foi necessário para a aceitação da série, tendo em vista que os últimos grandes incidentes com serial killers ocorreram ao decorrer dessa década.

A escolha de elenco e a atuação dos ditos cujos é outra das magnificas surpresas dessa série, por começar pelo próprio Mattthew McConaughey que se entregou de corpo e alma ao projeto. Apresentando uma atuação chocante de tão primorosa, mas apesar disso os outros não ficam muito atrás. O senhor Woody Harrelson é um dos que mais me surpreendeu, sempre o tive como um ator de comedia, mas vê-lo atuar como um detetive, pai de família e vira-lata me fez mudar de opinião sobre ele que junto a Michelle Monaghan que finalmente consegui se mostrar competente.

Algo que faz tudo isso funcionar muito bem e que sempre deve ser elogiado é que o canal HBO dá uma certa liberdade para os diretores de suas séries fazerem o que quiserem ao mesmo tempo que poe a censura lá em cima. Coisas das quais fazem com que um programa desse porte seja executado de maneira muito mais coesa. O que devia servir de exemplo para muitos outros canais, mas como o publico médio americano costuma ser seduzido por carnes magras (literalmente) esse não é um padrão definitivo para os canais de TV’s, pena.

Bem, por fim nos temos uma trilha sonora cativante e dark que combina muito bem com os encerramentos de cada episodio, dando aquele clima a mais de “E agora, como vai ser?” ao qual toda série precisa.

O mundo precisa de homens maus. Nós afastamos os outros homens maus.” – Rustin.

Eu poderia passar mais 40 parágrafos falando sobre True Detective e a evolução da trama de excelente para divina, mas como os textos desse blog estão ficando ao estilo “longcat” eu me encerrarei por aqui. Se você não pode conferir ainda esse primor de narrativa televisiva pegue-o, compre-o, possua-o de maneira mais rápida que puder. Atuações marcantes, excelente trama, ótima ambientação e uma trilha sonora muito bem escolhida fazem desta série um dos projetos mais ambiciosos do canal HBO.

9,5 /10 

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2 comentários em “True Detective (1º Temporada) – Crítica

  1. Roger disse:

    Excelente review e uma série fantástica! Espero que a segunda temporada mantenha a qualidade apesar da mudança no elenco.

  2. […] que True Detective foi lançada, e eu terminei de assistir, fiquei pensando o quanto que uma série na mesma pegada […]

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