X-Men: Deus Ama, o Homem Mata – Comic Review / Crítica

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Vamos falar sobre a mãe de todas as Graphic Novels dos X-Men.

O ano 1982, por conta da grande renovação que estava por ser executada na equipe criativa da Marvel Comics, surgiu à ideia da produção de uma Grapich Novel dos X-Men onde não fosse necessário se importar com a tão complicada cronologia da equipe de mutantes.  Encabeçando o projeto estava ninguém menos, ninguém mas que Chris Claremont; um dos principais responsáveis pelas melhores fases dos personagens e também pelo “re-sucesso” que ocorreu para o grupo nos anos ’80.

A história da HQ em si, toma como base o que estava ocorrendo com o EUA da época, uma verdadeira onda de conservadorismo. Tudo devido aos anos de rebeldia anteriores (’60 e ’70). O país estava voltando – aos poucos – a ser como era em sua fundação. Devido a isso, surgiram diversos “telê-evangelistas” propagando sua visão fundamentalista para reintroduzir as famílias ao “bom caminho” da fé. Ou seja, os democratas estavam de volta com tudo. A tolerância na época estava em baixa, era quase que uma ditadura da fé, onde se dava a opção de “Faça o que eu digo, ou dê o fora”.

Tudo foi um terreno extremamente fértil para boas história onde o medo reinava, onde a igualdade e a tolerância estavam por um fio. Exatamente o que vemos em “Deus Ama, o Homem Mata”. Claremont soube muito bem transpor essa discussão para os quadrinhos e inspirado nas contendas da época, retratou um grande combate social entre os X-Men (Negros, gays, latinos e imigrantes europeus) contra os Humanos (americanos tradicionais e fundamentalista religiosos).

O que é muito bem retratado nas páginas inicias da HQ, quando duas crianças negras são assassinadas.

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Bem, toda a trama gira em torno da “luta religiosa” do Reverendo William Stryker (Não, ele não é o cabeça da Arma-X) que deseja a todo custo eliminar a raça mutante. Para isso, William pretende capturar o Professor Xavier; peça fundamental em seu plano mestre. As motivações dele se tornam mais claras quando, ele próprio, comenta sobre o seu passado e o acidente que mudou toda a sua vida. Alias, ele é um dos mais terríveis (no bom sentido… se é que dá para chamar de “bom”) vilões dos X-Men, com ele não existe paz, os mutantes devem ser eliminados a qualquer custo independe de quem sejam.

Um fato engraçado é que boa parte da historia se foca em uma personagem que já possui outra grande historia, no caso Kitty Pryde mais uma vez fica sob os holofotes por um bom tempo ao desenrolar da trama. A garota acaba sendo perseguida pelos asseclas do Styker e apenas consegue se livrar deles com a ajuda de Magneto, sim até mesmo ele está do lado nos X-Men nessa batalha.

Falando no mestre do magnetismo. Seu discurso no final da trama nos mostra o quanto ele é um personagem sensacional e não exatamente “maligno”. Ele ama o seu povo e deseja profundamente ver o seu desenvolvimento, ele não é um genocida como Stryker. Apenas um defensor, mas diferente de Xavier ele entende que nem sempre o dialogo é o melhor caminho, alguma hora você será forçado a lutar pelos seus ideias com as próprias mãos. Nada de igualdade, mas sim respeito e mais direitos. Ou seja, mais um vez voltamos ao comparativo entre Malcolm X e Martin Luther King Jr.

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Ao final, a trama em si fala mais da luta por direitos das minorias, que do fundamentalismo religiosos; realizado por Stryker. Sem contar nas boas doses de ação muito bem retratadas por Brent em cada pagina. Deste modo o enredo – junto a obra – se torna atemporal, cumprindo assim o objetivo de Claremond ao trabalhar no desenvolvimento da trama em 1982.

Apesar de todos esses detalhes, algo que me chama muito atenção no trabalho do autor que ele flerta com o gênero adulto. Ultrapassa algumas barreiras “meio que” estipuladas para as historias em quadrinhos; que quase sempre foram tratadas como material infantojuvenil. Ou seja, claremond já estava desenhando o que viria a ser o selo Vertigo na grande rival e distinta concorrente DC Comics. Sem contar que discutir sobre temas religiosos nessa época era algo deveras perigosos, tendo em vista o nível de fundamentalismo dos anos 80, mais uma vez temos uma Marvel Comics disposta à “dar cara a tapa” na industria.

Claro, uma parte tem de ser destinada a esse artista fenomenal que é Brent Anderson. Não sou um profundo conhecedor da trajetória do rapaz, mas sua arte é de encher os olhos. Principalmente do ponto de vista de anatomia, todas as dimensões dos personagens muito bem feitas e os traços faciais dele são incríveis. Tudo é quase um grande retrato detalhado da arte da época. Além disso, ele sabe muito bem brincar com a sequência de quadros, meio que quebrando ela e pondo detalhes que as atravessam.

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Chris Claremont foi realmente feliz ao escrever tal historia e ainda envolver tantos conflitos em sua trama. A meu ver, essa Grapich Novel sem duvida alguma é um marco para o gênero. Não a melhor de todas as historias dos mutunas, mas uma delas. Um retrato de uma época onde ainda se existia tanto conflitos étnicos e morais, além de uma mudança de pensamento por parte da uma população que esteva se renovando e aprendendo a conviver com essas renovações.

  • Roteirista: Chris Claremont.
  • Quadrinista: Brent Anderson.
  • Colorista: Steve Oliff.
  • Editora: Marvel Comics.
  • Editora Nacional: Panini Comics.
  • Ano de Publicação Original: 1982.
  • Ano de Publicação no Brasil: 2014.

9,0/10

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Um comentário em “X-Men: Deus Ama, o Homem Mata – Comic Review / Crítica

  1. Roger disse:

    Excelente review. Essa história faz parte do meu Top 10 de histórias dos X-Men sem medo de errar. Mostra uma evolução na forma do Claremont desenvolver uma trama com menos páginas, já que ele sempre foi muito bom com tramas longas em revistas mensais.
    O Brent Andreson é um desenhista que começou na década de 70, e um dos primeiros trabalhos dele que eu me lembro foi na revista mensal do Ka-Zar. Seus traços já eram bons naquela época.

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