legadodejupiter-malditosinvasores

Chloe e Brandon são os filhos dos maiores heróis do mundo e eu NÃO SEI se eles já conseguem calçar os seus sapatos sozinhos, Mark Millar.

Assim que início a digitação desse texto, acabo de ler uma das mais novas obras do gênero “super-heróis” pelas mãos de Mark Millar. A HQ em questão se chama “Jupiter’s Legacy” (Legado de Júpiter) que foi inicialmente publicada em 2013, contando com os traços de Frank Quitely (All-Star Superman, Batman & Robin e Fex Mentallo) é que concorreu a diversos prêmios nós últimos anos, sendo a série mais longa do autor até o momento.

Antes de tudo, cabe uma apresentação para os não conhecedores do autor; O gigante moderno, Mark Millar, é um autor escocês de historias em quadrinhos conhecido mundialmente por alguns pequenos trabalhos e não muito revelantes para a industria em obras como: The Authority, The UltimatesUltimate Fantastic Four, Civil War, Kingsmen: The Secret Service, Wanted e Kick-Ass. 

O enredo gira em torno dos eventos e dramas da família de Sheldon Sampson (conhecido como “Utopia”), seus filhos que não são heróis atuantes (Chloe e Brandon) é seus problemas de como aceitar a nova realidade em que vive, tudo isso em um mundo em que os super-heróis lucram com contratos de marketing e vivem no luxo, enquanto o mundo sofre devido a sua própria politica de não envolvimento com problemas econômicos e sociais.

jupiters-legacy-1

Bem, na minha imensa ignorância (só sei que nada sei), acreditei que Jupiter’s Legacy seria só mais uma dessas historias modernas com um pé no politicamente correto e exagerada ao extremo no quesito superpoderes. Mas, para a minha grata surpresa, ela tem um tom extremamente adulta, violenta e bem indiferente aos tipos de historias modernas das principais editoras.

Logo de inicio, o que chama mais atenção do leitor é a maneira como os filhos do personagem principal veem todo o “lance” de ser um super-herói, enquanto a Chloe é extremamente pacifista (budista e vegetariana) sempre se promovendo em festas para arrumar fundos para sua instituição de caridade, seu irmão quer ser um dos importantes e ao mesmo tempo ser significante ao mundo (detalhe, ele não usa uniforme ou codinome), mas acaba sempre fazendo alguma besteira que faz com que seu pai o envergonhe na frente dos amigos. Ou seja, eles – ao contrario de seu pai – são heróis distópicos em busca de se auto afirmar.

Um problema que me chamou a atenção, ao decorrer da trama, é que o Millar não explora muito bem os seus personagens. Enquanto que autores como Alan Moore e Frank Miller tem sempre diversos momentos da trama mostrando o ponto de vista dos personagens. Ele não se preocupa muito com isso e simplifica ao máximo os dramas dos personagens, meio que com uma certa “presa” em desenvolver a historia.

Outro detalhe que pode incomodar diversas pessoas ao iniciar a leitura, fica por conta da forma como ele usa o famoso “american way of life” para inflamar o protagonista inicial da trama. Sendo assim ele se utiliza do amor absurdo que os americanos tem pela sua terra e como eles “venceram” nela para criar um background para o Sheldon, que acaba se tornando um americano a moda antiga no decorrer da trama.

Por ultimo, mas não menos polemico. Vou argumentar que os traços de Frank Quitely são estranhos de mais da conta, até mesmo para quem já está acostumado com as suas artes. Não é um traço feio, mas ele tem uma estética (principalmente feminina) muito única, lembrando até um pouco a do Milo Manara, mas menos primorosas. Talvez, isso seja por conta das cores que são usadas na colorização do quadrinho que acaba piorando tudo, mas acredito que – levando em conta a opinião de outros leitores – que a arte dele acabe se tornando um problema para os novatos.

Bem, no final das contas essa é uma das melhores historias do autor que eu já pude ter a oportunidade de ler. Bons personagens, enredo bem elaborado e um grande roteiro fazem dessa uma das maiores obras do autor até o momento, mostrando sua versatilidade em desenvolver historia em diferentes períodos e ambientações. Além de que, a maneira como ele transpõe os heróis para uma realidade mais pé no chão é incrível.

PS: A Panini Comics vai estar lançando o quadrinho no brasil esse ano, não sei de informações sobre a forma de publicação, mas espero um capa dura (tendo em vista as poucas edições da serie).

  • Roteirista: Mark Millar.
  • Quadrinista: Frank Quitely.
  • Colorista: Peter Doherty.
  • Editora: Image Comics.
  • Editora Nacional: Panini Comics.
  • Ano de Publicação Original: 2013.
  • Ano de Publicação no Brasil: 2016?

8,0/10

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s